O mais legal é que depois da entrevista nós começamos a conversar mais. Eu já conhecia o Eduardo, mas nunca tinha conversado com ele pra valer. Aí surgiu a oportunidade de entrevistá-lo, sobre o belo Alguma Trilha Além, seu livro de estréia. Depois disso ficamos bem mais próximos. Ele é "um homem só/ falando a outro homem só", como escreveu o Roberto Kenard sobre o Celso Borges. Ele tem algo a me dizer, como poeta e amigo. Isso não é pouco não. Depois posto a entrevista. Por enquanto segue o texto de apresentação, que é assim:
Eu estava colocando fita no gravador, revisando as perguntas que faria ao poeta, jornalista e fotógrafo Eduardo Júlio, quando recebi o telefonema. “Notícia fresca: estou indo pegar trinta exemplares do livro!”. Era Eduardo, se referindo ao recebimento de parte dos 700 exemplares a que a premiação do Plano Editorial do Governo do Estado lhe dá direito. Direito que, aliás, já fez aniversário duas vezes.
Alguma Trilha Além, livro de estréia do poeta, foi premiado em 2003. Segundo o edital do concurso, o prazo máximo para a publicação das obras classificadas é de 12 meses. Mas Eduardo só viu o livro pronto no dia em que esta entrevista foi gravada, numa tarde monótona de sábado, em junho de 2005. E ainda não há previsão para lançamento. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do Estado, nem todas as obras premiadas em 2003 estão finalizadas, e o lançamento será coletivo. Isso paralisou o Plano Editorial. Ele que na década de 1980 publicou autores reconhecidos nacionalmente, como Roberto Kenard, ficará suspenso até que os vencedores em 2003 venham a público.
O que se apresenta em Alguma Trilha Além são os frutos de mais de uma década de trabalho deste “jovem veterano da poesia local”, como escreveu Paulo Pelegrini. “Jovem veterano” porque, apesar de ser sua estréia em livro, Eduardo já é referência no meio artístico em São Luis. Não é à toa que em 2001 o poeta Celso Borges o escolheu para fazer o ensaio fotográfico de seu livro XXI – poemas de celso borges. “Queria alguém que tivesse um envolvimento com a palavra”, registra Celso. Em 2004 Eduardo foi convidado para integrar a comissão julgadora do Festival de Poesia da UFMA. Quando venceu o mesmo festival, em 1993, usou o dinheiro do prêmio para comprar uma bicicleta. Eduardo é, sem dúvida, um poeta de trilhas.