Isso aí é Lester Bangs tentando conseguir um emprego na Rolling Stone, em 1969.
Em 2005 saiu por aqui (pela Conrad) uma coletânea de textos dele. Reações Psicóticas.
Belo título, não é?
Lester é provavelmente o crítico mais cultuado do rock’n’roll. Ficou famoso por ter usado pela primeira vez o termo punk (falando sobre um disco do Iggy Pop -- anterior a 1977, se é que me entendem) e por ter definido (e não rotulado) o som do Black Sabbath como heavy metal.
Grande coisa.
Quer dizer, isso é o de menos. Contribui para o mito, mas é o de menos. Apenas serve para mostrar como ele estava enfiado até o pescoço na música, com cérebro e ouvidos atentos. Pensando música. Sobretudo ouvindo.
Lester foi demitido da Rolling Stone em 1973, por ser “desrespeitoso com músicos”. Acontece que ele nunca engoliu o culto à celebridade que invadiu a música. Nunca deixou de incomodar. Era uma espécie de militante da música. O tipo de jornalista que você não lê todo dia. O que já é um bom motivo para lê-lo.
Em 1980 ele disse numa entrevista: “pra ser sincero, estou tão alienado e enojado a ponto de me perguntar se quero mesmo fazer algo nos próximos anos. Veja bem, a questão é: tudo está ficando como a revista People. Todo o rádio, toda imprensa, tudo está ficando assim, até o ramo editorial. Ontem, falando com meu empresário, perguntei a ele: ‘você acha que, continuando assim, a única coisa vendável vai ser a biografia-putaria de uma celebridade?’ E ele respondeu: ‘não sei’. Entende?”
Dois anos depois ele morre. Tentando se livrar do alcoolismo. Overdose de medicamentos. Não fossem os medicamentos, seria a MTV.
Alguns parágrafos acima eu escrevi “militante da música”. Pensando bem, Lester Bangs foi um músico. Um músico que tocava máquina de escrever.