| o trompetista gago: :reuben |
Não, obrigado.
Lembro com certa freqüência de uma conversa que tive com o Fernando Abreu, num dos últimos dias desta última greve.
Claro, sobre as coisas de sempre. Livros, poesia, mulheres e, bem, não consigo lembrar de outra coisa. Mas lembro do Fabreu falando que só então começava a sentir sua criatividade eclodir. Que agora viria o melhor de sua produção.
Agora, vários anos e dois livros depois, ele diz começar a fabricar sua melhor poesia. Aí conclui: “é por isso que eu não posso morrer”.
Não canso de repetir que Fernando Abreu e Roberto Kenard (que parece ter deixado de lado toda aquela baboseira política para escrever as pequenas obras-primas que tenho lido com alegria) são os dois maiores poetas em atividade por aqui, na Ilha dos Patos. Quando um deles sacanamente diz que não pode morrer por causa de sua poesia, que só melhora, o mínimo que posso fazer é escrever um post.
Tenho em comum com Fabreu (além de certas taras) o gosto pela reclusão. Quando lhe confessei que pensava estar entrando cedo demais num certo processo monástico, ele disparou: “quanto mais cedo, melhor”. Lembrou-me que ficar em casa é fundamental (quando se trabalha dois expedientes, principalmente) para se manter uma atividade artística digna do nome.
Há quem ache tudo babaquice. O que não é problema algum, já que é recíproco. Então eu lembro um Valèry que ouvi do outro poeta, o Kenard: um poeta é feito de recusas.
Escrito por quem gritou foi o reuben às 00h37
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O ferro de soldar marca minha língua com tinta metálica. A cegueira me distrai da dor.
A solda escorre através da língua, o ferro a atravessa.
Poema escrito em braile.
Escrito por quem gritou foi o reuben às 10h54
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p/ Marcos Ramon
O coração sobre a mesa. O contrabaixo respira, intransitivo.
O coração.
Metrônomo sangrando.
Escrito por quem gritou foi o reuben às 23h29
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